Severino “Não Pode” era o cognome de um cabouclo que morava no semi-árido do sertão pernambucano. Ele era bastante robusto, barba serrada e longa e, ainda muito jovem, sempre se esquivava, fazia corpo mole e não se importava de trabalhar. Vida paupérrima. É óbvio. Dava pena de ver. Seus amigos diziam: ele camarada não vale o feijão que come. Severino "Não Pode" morava sozinho, (ainda bem) em uma choça, à beira da estrada; ele se alimentava de frutos que encontrava na caatinga e no agreste.
Embora sendo analfabeto e não tendo nenhum conhecimento gramatical, ele era apaixonado pela pronúncia do advérbio chamado “não.” Quando ele abria a boca para conversar, era um Deus nos acuda.
Atrás daquela barba serrada e longa só saía à palavra não. Era não que não acabava mais. Não posso; não quero; não gosto; não me incomode; não dá certo; não tem jeito; não vale a pena; não importa; não vou conseguir; não insista; não é possível; não é mole não; e assim por diante.
Estas eram algumas das variantes ou adjetivos que faziam parte do seu vocabulário; era realmente a cultura do não.
Um dia, à queima-roupa, alguém lhe fez uma série de perguntas sobre o seu comportamento e sua personalidade. O que ele não gostou muito, mas em fim acabou respondeu a todas.
Severino Não Pode, por que é que você não dá uma arrumada na casa que está quase caindo? Você já imaginou o perigo? Severino respondeu: É que não vale a pena, (cara), tanta lida para tão pouca vida!
Severino Não Pode, por que é que você anda descalço em meio ao agreste onde há tantos espinheiros? Você está correndo o risco de arrebentar os pés. Concorda? Ao passo que ele disse: Eu não tenho essa preocupação. A precata (nome sertanejo desse calçado), custa dinheiro, não é verdade? E se ela rasgar, terei que pagar o conserto; agora, os pés não, se rasgar no espinheiro, eu sei que não é mole, não, mas não precisa a gente consertar. Sara sozinho e com o tempo, não é mesmo?
Severino Não Pode quantos anos você tem? Não sei, não, (cara). Juntando os anos não vividos com os maus vividos, daria um punhado de anos.
Severino, você tem certidão de nascimento? Não! Você tem título de eleitor? Não! E se tivesse, também não votaria em político safado e patife.
Para encerrar, chuta aí a sua idade, mais ou menos? Severino “Não Pode” já estava para explodir e enfatuado respondeu: É só você, (cara), fazer a conta do tempo, na época em que eu nasci à especulação ainda não existia. A idade era uma coisa velada e secreta, por isso considerado falta de educação perguntar a idade dos outros.
CADA COLHE AQUILO QUE PLANTOU
Duas palavrinhas só é o suficiente para impedir que pessoas cheguem ao topo da pirâmide da realização humana. Uma simples frase. Vejam bem: Aqueles que as pronunciar com muita freqüência, dificilmente experimentará o êxito. Quem planta indecisão, colhe atraso de vida.
EIS AQUI A FRASE:
“NÃO POSSO”
Talvez você há use 24 horas.
“Não posso fazer isso, não posso fazer aquilo.” Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, procura uma desculpa. E assim por diante.
Mude de atitude. Liberte-se do “não posso.” Você pode fazer qualquer coisa. .Desde que acredita que pode. É fácil? Claro que não! Nada que valha a pena alcançar na vida é fácil. Temos que adotar e aprender a gostar do “Eu posso”. O “Eu posso” é gratificante. E é preciso desejá-lo. Pois tudo aquilo que detestamos, cria asas e foge para longe de nós.
RIMANDO SOBRE O SIM E O NÃO
“Não Posso” é um preguiçoso que nada quer fazer;
Um mole, um cabuloso que foge do seu dever;
Não tem o que comer à mesa;
pois nela sempre falta o pão;
Seu corpo é sem limpeza;
Sua roupa é só rasgão;
Sim, eu posso todas as horas;
E o tempo não ponho fora;
É na oficina, é na escola, casa ou rua;
Nunca maldiz a sina, é que sabe ser a sua".

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