Muitas pessoas acham que o passado é algo chato e sem muita importância; outros, já pensam nele de forma saudosista e até tentam revivê-lo. Odiando ou amando, uma coisa é certa: podemos reviver o passado, lembrando neste caso, alguns hábitos de antiquissimos praticados e vividos pelos mais velhos.
VAMOS A UM DELES:
O HÁBITO DA "CANEQUINHA"
(1950). Então, eu sou do tempo do hábito da “canequinha”. Explico: Eu fui criado numa fazenda onde as famílias trabalhavam de colonos e viviam em extrema pobreza. Naquele tempo, nesta fazenda, quase não se falava em dinheiro. O trabalhador só recebia seu salário no final do mês; e o pagamento chamava-se “mesada”.
Na dispensa da casa, de muitas famílias, quase não havia o que cozinhar, faltava quase tudo; e quando tinha uma coisa, faltava outra; quando tinha o feijão, faltava o arroz, faltava a banha, o sabão, o fubá, o café, pimenta do reino, alho, cebola, o querosene, o sal, o leite, a farinha de mandioca, o pão, o açúcar, o jabá e assim por diante. E, ali naquela fazenda a fome fazia por rondar a porta de muitas casas.
Que mistério insondável é a fome! Economizam-se tantas coisas desta vida, deixa-se de comprar uma roupa nova, um sapato diferente, de ir à praia, pagar um plano de saúde, em fim... Mas na hora em que bate a fome é um deus nos acuda, temos que comer, ninguém deixa para depois, a menos que se trate de uma greve de fome. Aliás, ninguém tapeia a a fome. A fome traz revolta, O homem tem que comer, e não há nenhum pecado nisto.
Por necessidade, era comum a gente ver naquela fazenda, logo de manhã uma pessoa de cada família sair pela colonia da fazenda rua a acima rua a baixo com uma canequinha na mão pedindo algum mantimento emprestado para fazer uma refeição. Minha família é testemunha ocular deste fato. Aliás, eu não me acanho em dizer que a família de meus pais e meus avós fez isto!

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